Comissão Pastoral da Terra denuncia que mais 16 mil famílias no Maranhão sofrem violência pela posse da terra

A imagem mostra a revolta e a indignação de famílias chorando a morte de um irmão assassinado por jagunços de grileiros e latifundiários em Codó no Maranhão.

 As denuncias feitas pela Comissão Pastoral da Terra Nacional e que deve constar com detalhes no Caderno de Conflitos Agrários de 2018, que no Maranhão estão sendo contabilizadas 16.154 famílias vítimas de violência sangrenta pelo direito a terra, a maioria de posses seculares em 69 municípios, ainda não traduz a verdade, uma vez que deve ser muito maior, uma vez que a CPT encontra dificuldades e resistências para apurar totalmente os fatos. Mais uma vez volta a ficar claro que, o governo de Flavio Dino tem aversão total a politicas públicas e nem mesmo é capaz de criar as chamadas politicas compensatórias para o meio rural, Quando o governador cooptou o Movimento Sindical Rural colocando sindicalistas em órgãos públicos e mais precisamente na Secretaria da Agricultura Familiar em vários municípios, deu-se inicio a uma proteção institucional a grileiros, latifundiários, empresários rurais e políticos que ampliam os seus territórios rurais com  violência para a expulsão de famílias de posses seculares das suas terras, em que geralmente muita gente morre, quando tenta resistir à legitimidade dos seus direitos.

A FETAEMA e a CPT representavam o grito de resistência dos homens, das mulheres, das crianças e dos idosos no meio rural e tinham a missão profética do anuncio e da denúncia da violência com movimentações e atos públicos que incomodavam os governos e os políticos protetores de grileiros, latifundiários e empresários rurais.

Com a capitulação total do Movimento Sindical Rural ao governo estadual, a Comissão Pastoral da Terra com todas as dificuldades ainda permanece viva no Maranhão, embora com as limitações de recursos que a impedem de ir mais longe, mas conta a essência de voluntários que se constituem em lutadores por direitos e dignidade humana.

A violência decorrente dos conflitos agrários produz  miséria com a expulsão de famílias do meio rural e que são obrigadas  a se refugiar nas sedes dos municípios ou nas grandes cidades, ampliando os bolsões de miséria.

Quando o governador Flavio Dino falava no Mais IDH, cheguei a dar credibilidade de que se tratava de um projeto amplo que iria se aproximar da humanização de milhares de famílias, que não estão em situação mais difícil, decorrente do programa Bolsa Família. Cheguei a acreditar que a Secretaria da Agricultura Familiar, viesse a ser bem presente no campo, levando-se em conta com o pessoal da FETAEMA, poderia perfeitamente contribuir para o resgate da pequena agricultura para pelo menos se constituir como sustento alimentar no meio rural, mas infeliz, tudo se tratava de mais um fiasco e os projetos eram midiáticos.

Sem a produção de alimentos não se vai a lugar algum no campo. Para o agricultor não á apenas se dar implementos agrícolas e máquinas, mas se ofertar principalmente e o mais determinante que é a assistência técnica e extensão rural, seguindo-se o crédito, a água, a energia, o posto de saúde, a estrada, o armazém para que eles possam efetivamente produzir alimentos.

Depois que acabaram com a EMATER-MA, na década de 90, o Maranhão nunca mais teve assistência técnica para a pequena agricultura. Foi no governo de Luís Rocha, que o Maranhão foi o segundo maior produtor de arroz do Brasil, com a participação massiva e efetiva da pequena agricultura.

A Secretaria da Agricultura Familiar, infelizmente existe como instrumento politico de interesses pessoais, sem um mínimo de identidade com a pequena agricultura. A produção de alimentos que existe precariamente é resultado de médios produtores que contratam crédito em bancos e que pagam engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas para a assistência técnica e transferência de tecnologia. O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar no Maranhão é tratado com uma enorme farsa. Se o governo tiver coragem de vir a público mostrar a realidade, basta que analisemos o volume de crédito contratado e o resultado dele com produção de alimentos. Não existe melhoria, muito pelo contrário, o resultante é o endividamento de agricultores e agricultoras maranhenses junto a estabelecimentos de crédito

Diante de tanta propaganda governamental, é de se perguntar: Onde está a tão falada produção agrícola do Estado, sem falarmos no agronegócio? Não existe. Continuamos importando tudo na capital e no interior. Em São Luís, grande parte do cheiro verde que consumimos vem do Ceará. Com absoluta certeza, a próxima pesquisa do IBGE vai mostrar que a extrema pobreza do Maranhão que atualmente é superior a 53%, chegue a 60% ou mais. A fome e miséria antes criavam desigualdades, hoje elas são referências de morte.

O que o IBGE mostra em sua recente pesquisa, e destaca o Maranhão na extrema pobreza, reside na fome e na miséria, com as crescentes desigualdades sociais. Famílias subsistindo com 10 reais por dia, e se não está pior é devido o bolsa família. O mais grave é que as centenas de milhares de jovens que buscam emprego para viverem com dignidade, acabam se transformando em presas fáceis para o submundo do vício e da perdição das drogas.

As desigualdades cada vez mais acentuadas concorrem decisivamente para o crescimento da violência que é vista todos os dias nas ruas e avenidas da capital e com uma maior intensidade nas sedes dos municípios. Não adianta se comprar centenas de viaturas, armas e tentar aumentar o contingente policial militar e civil, se não tivermos politicas públicas, com observação importante para a educação profissionalizante, geração de emprego e renda com o empreendedorismo, saúde capaz de atender com respeito  direitos dos cidadãos que delas precisam. Moradia e transporte coletivo digno são outros direitos bastante reclamados, e que infelizmente são tratados com indiferença. A verdade é que recursos existem, o que complica é a falsa aplicação,  o que enseja a corrupção deslavada.

 

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