Carmen Lúcia diz que se população soubesse tudo o que ela viu dentro de prisões, ‘não dormiria’

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Ministra Cármen Lúcia faz visita surpresa ao Presídio Central de Porto Alegre | Foto: Luiz Silveira/Agência CNJ

                     “Se o brasileiro soubesse tudo o que sei, tendo visitado 15 penitenciárias masculinas e femininas, seria muito dífícil dormir”. A frase foi proferida pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Carmen Lúcia, durante o festival Piauí/GloboNews de jornalismo, neste sábado (07), em São Paulo.

                       Segundo informações do jornal O Globo, em conversa mediada pela jornalista Consuelo Dieguez, a ministra afirmou ainda: “Hoje temos as questões gravíssimas de organizações criminosas dominando em todos os estados do Brasil. Por isso eu digo que não é cômodo nem confortável nenhuma poltrona na qual eu me assente, por uma singela circunstância: eu sou uma das pessoas que mais tendo informações não tenho a menor capacidade de ter sono no Brasil”.

                        Quando assumiu a presidência do STF, no ano passado, Carmen Lúcia passou a fazer visitas surpresa e sem anúncio em vários presídios do Brasil. O Central, de Porto Alegre, foi um dos primeiros a ser inspecionado por ela e por uma comissão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No início do ano, depois dos massacres em prisões do norte e nordeste do país, a ministra passou a exigir que todos os estados entregassem dados atualizados sobre a população carcerária.

                          Dados do Ministério da Justiça apontam que, entre 2000 e 2014, o número de presos no Brasil saltou de 90 mil para 607 mil pessoas. O número de mulheres presas, até 2015, havia crescido 700% no mesmo período. A lei de drogas aprovada em 2006 seria uma das principais causas do aumento.

                     Ainda no ano passado, em um encontro sobre segurança pública, Carmen Lúcia apontou: “Um preso no Brasil custa R$ 2,4 mil por mês e um estudante do ensino médio custa R$ 2,2 mil por ano. Alguma coisa está errada na nossa Pátria amada. Darcy Ribeiro fez em 1982 uma conferência dizendo que, se os governadores não construíssem escolas, em 20 anos faltaria dinheiro para construir presídios. O fato se cumpriu. Estamos aqui reunidos diante de uma situação urgente, de um descaso feito lá atrás”.

Editoria: CNJ

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